quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

WILLIAM SHAKESPEARE

WILLIAM SHAKESPEARE


CVII

Nem os meus próprios medos, nem mesmo Á sibilina

alma do mundo em sonhos sobre o futuro é dado

regrar ao meu amor o prazo em que termina

supondo-o, como pena, a um termo confinado.

Já teve o seu eclipse aquela mortal lua,

de seus próprios presságios áugures tristes motejam,

coroando as incertezas a segurança atua,

na paz as oliveiras de idade eterna sejam.

Do orvalho hoje do tempo balsâmico se cobre

meu amor de frescura e a morte a mim se curva

e eu vivo apesar dela nesta rima tão pobre,

enquanto ela injuria a tribo muda e turva.

E tu aqui terás eterno monumento

quando elmos de tiranos e tumbas forem vento.


 

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