sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

NOITE DE NATAL

A cidade adormece. A rua esta deserta e apenas vimos um gato que apressado volta a casa da dona.

Da minha janela no coração de Lisboa, olho o céu contemplando o mundo.

As janelas estão iluminadas. Lá dentro o bulício da noite se agita, com as prendas em redor da árvore.

O bacalhau tomou o seu banho matinal, e se sente privilegiado,  pois será o rei da noite.

As suas amigas chegaram durante o lanche da tarde, para se bronzearem no meio do leite que as levaram ao spa do óleo quente.

As rabanadas.

Loirinhas e salpicadas de canelas, elas se sentem vaidosas e procuram uma boca ardente para as saborear, com amor e deslumbre.

Ainda no seu duche predileto o arroaz doce se deixa bater, lentamente com amor. nos ovos frescos do sabor da vida.

A um canto ainda adormecido, o cabrito se deixa banhar no gel do relax, embriagado pelo vinho e dos condimentos aprazíveis, para o saborearem

A sua festa só será amanhã.

A vida é um caminho perfumado. Basta apenas pôr um pouco de pó de arroz

BOAS FESTAS PORTUGAL E O MUNDO 


quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

TEMPO

O tempo me veio acordar

na hora

do meu silêncio

pôs-me a chorar

e precisei dum lenço


Um pouco a medo

ele me veio abraçar

ficou quedo

porque não teve nunca

a quem amar


 O tempo se retirou

chocado 

com o meu despertar

e ele me perguntou

como deve ser bom

amar!



QUEM SOU EU?

Quem sou eu?

perdida no teu tempo, em que te achar

em preciso

urgentemente

para te poder amar


Quem sou eu?

caminhando sem destino

procurando no meu EU

o pobre desatino


Quem sou eu?

um sem-abrigo

dentro do meu coração

preciso estar contigo

amor!

não digas que não?

 

WILLIAM SHAKESPEARE

WILLIAM SHAKESPEARE


CVII

Nem os meus próprios medos, nem mesmo Á sibilina

alma do mundo em sonhos sobre o futuro é dado

regrar ao meu amor o prazo em que termina

supondo-o, como pena, a um termo confinado.

Já teve o seu eclipse aquela mortal lua,

de seus próprios presságios áugures tristes motejam,

coroando as incertezas a segurança atua,

na paz as oliveiras de idade eterna sejam.

Do orvalho hoje do tempo balsâmico se cobre

meu amor de frescura e a morte a mim se curva

e eu vivo apesar dela nesta rima tão pobre,

enquanto ela injuria a tribo muda e turva.

E tu aqui terás eterno monumento

quando elmos de tiranos e tumbas forem vento.


 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

TEMPOS

Tempo do tempo

do tempo que DEUS quis

já não tenho tempo

porque não sou um petiz


Tempo da era

crepúsculo do tempo

que não mais era

no meu lamento


Tempo de recordar

os tempos que já passaram

hoje quero amar

os tempos que me enamoraram



 

EMBRIAGUEZ

Embriaga a minha alma

de teus beijos sedutores

nada em mim se acalma

quando temos amores


Embriaga o meu corpo

quando pensa no teu

ele não está morto

e o teu amor é meu


Embriaga na loucura

do desejo

este nosso amor

com um único beijo


Embriaga a minha solidão

para que o meu pobre coração

não te diga um não



 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

EDUARDO PITTA

EDUARDO PITTA


Sucumbimos à tentação

do gesto

apenas esboçado

e à impressão do tato e do olfato

agora que, uma

a uma

submergimos todas as motivações

que da epiderme ao sonho

nos ajudaram a trair a memória

de alguns quintais.

 

APENAS NADA

Por vezes fazemos do nada

um sonho a abraçar

como um tornado 

na arte de bailar

Bailar nos teus braços

como se fossemos 

um só corpo

perdido entre embaraços

mas com muito conforto




 

TEMPO DE VIDA

A vida nem sempre é perfeita

o imprevisto dum acaso, por vezes surge

numa ideia contrafeita

o tempo urge

numa ilusão desfeita

Porque será que a vida

é tempo sem ser tempo

do ato de contradizer

como o vento

que não nos deixa viver

A vida é livro aberto

que nos convida a escrever

por vezes

em pleno deserto

nos deixa morrer!

 

ESPERO-TE

Hoje meu amor, esperei por ti mais cedo, junto á fonte do nosso amor.

A manhã nascia

e eu te esperava

com todo o meu ardor

O tio Zé desceu ao povoado

com o seu gado

tresmalhado

vinha todo molhado

e um pouco angustiado

A vida é uma barcaça

que não leva todos

no mesmo barco

e achamos graça

no seu impacto

O tempo está a passar

e tu não vens meu amor

quero namorar

e de ti

ter sabor

Mas se por acaso

não poderes vir

escreve no meu pensamento

para o teu amor sentir!







 

domingo, 8 de dezembro de 2024

O AMOR É

Como um lanho

num canto do coração

o amor nos fere

e nos pede perdão


Como uma faísca

no meio do temporal

ele é uma isca

não nos levei a mal


Ele não se compadece

dos erros do coração

e não obedece

ás regras da ilusão


Amar perdidamente

Florbela escreveu

uma dor somente

no meu coração e no teu. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

RAINER MARIA RIKE CANÇÃO DE AMOR

RAINER MARIA RIKE

RAINER MARIA RIKE


CANCÃO DE AMOR



Como hei de segurar a minha alma

para que não toque na tua? Como hei- de

elevá-la acima de ti, até outras coisas?

Ah, como gostaria de levá-la

até um sítio perdido na escuridão

até um lugar estranho e silencioso

que não se agita, quando o teu coração treme.

Pois o que nos toca, a ti e a mim,

isso nos une, como um arco de violino

que de duas cordas solta uma só nota

A que instrumento estamos atados?

E que violinista nos tem nas suas mãos?

Oh, doce coração"






 

SEPARAÇÃO

SEPARAÇÃO

é flagelo

no coração humano

por vezes

tão desumana

esta vontade louca

que nos torna profana

SEPARAÇÃO

entre dois seres

que tanto se amaram

hoje

de costas viradas

estão

feridos

e suas lágrimas derramaram!


 

LUÍS DE CAMÕES AMOR È FOGO QUE ARDE SEM SE VER

LUÍS DE CAMÕES

Amor é um fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói e não se sente,

é um contentamento descontente,

é dor que desatina sem doer,


É um não querer mais que bem querer

é um andar solitário entre a gente,

é nunca contentar-se de contente,

é cuidar que se ganha em se perder,


É querer estar preso por vontade,

é servir a quem vence o vencedor,

é ter com quem nos mata lealdade.


Mas como causar pode seu favor

nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo amor?

 

CANTIGAS DE AMOR

Cantei embalada nos teus braços

a nossa canção de amor

vivida

entre embaraços

eu deixei voar

a minha dor


Cantei nas longas madrugadas

 mil desejos contidos

as rosas desfolhadas

nos corações

batidos


Cantei a paz e o amor

mil projetos

envelhecidos

com a ânsia do fervor

em caminhos

vencidos


 

CII WILLIAM SHAKESPEARE

 WILLIAM SHAKESPEARE

Se parece mais fraco é meu amor mais forte,

nem tenho amado menos por menos que pareça.

Venal é o amor a cujo dono importe

na praça apregoar-lhe os louvores que mereça

Inda primaveril o nosso amor recente,

costumava eu saudá-lo com os meus cantos puros,

tal rouxinol que canta em Junho docemente

e cala o seu trinado em dias mais maduros

Se ele então dava à noite os hinos lamentosos

não quer hoje dizer que um pior virão deparo,

mas áspera toada há nos ramos frondosos,

dada ao vulgo a doçura lhe foge o prazer raro.

Por isso como a ave é que eu me calo então

para que não te pese amor, esta cancão.

CII

RETALHOS DA VIDA

A camioneta vinha atrasada, e eu pelo caminho, tentei falar com António 

em pensamento

José, faleceu há vinte anos.

 Após a sua morte, vivi e trabalhei na casa grande. A senhora que não tinha filhos, após vários anos de me ajudar a criar António, convenceu-me a polo num colégio, financiado por ela.

Tive sorte, porque ficava na cidade onde me instalei num novo emprego.

Depois de vários anos ele saiu, já em tempo de começar a sua vida.

D. Anunciação tinha entretanto falecido e deixou os seus bens e a casa grande para ele.

Hoje está bem instalado, bem casado e respeitado na aldeia por todos.

Continuou o trabalho de D .Anunciação. Ajudar todos aqueles que precisavam da sua ajuda.

Sua mulher foi mãe um pouco tardiamente, e a minha missão, era ver o meu neto.

A minha ansiedade para chegar era imensa.

A camioneta fez uma travagem apressada, tinha mos chegado.

Voltar aquela aldeia onde outrora fui feliz com António, era recordar um passado de miséria e de

 sofrimento.

Mas temos que ter coragem para continuar a vida, cada um tem o seu destino, e hoje é tempo

de estar junto do meu filho, com sua mulher e filho.

Um abraço apertado, estalou a minha alma.

É tempo de recomeçar a viver em família.!


quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

ANTÍGONA DE FERNANDO PESSOA

FERNANDO PESSOA

Como te amo? Não sei de quantos modos vários

Eu te adoro, mulher de olhos azuis e castos;

Amo-te com o fervor dos meus sentidos gastos;

Amo-te com o fervor dos meus preitos diários


É puro o meu amor, como os puros sacrários;

É nobre o meu amor, como os mais nobres fastos;

É grande como os mares altíssonos e vastos;

É suave como o odor de lírios solitários.


Amor que rompe enfim os laços crus do SER;

Um tão singelo amor, que aumenta na ventura;

Um amor tão leal que aumenta no sofrer;


Amor de tal feição que se na vida escura

É tão grande e nas mais vis ânsias do viver,

Muito maior será na paz da sepultura!






EU SENTI NÃO POSSO VIVER

Hoje

 embrulhei no sótão da minha alma

todas as cartas de amor

já não são precisas

elas começaram a ter, bolor


Hoje

resolvi te esquecer

afinal somos amores, perdidos

é melhor, não te querer


Hoje

percebi que tu não eras 

o meu amor

és um convencido, e só me dás dor


Hoje

já não quero, e não te quero

nunca mais, te quero ver

AH! Espera. EU SEM TI NÃO POSSO VIVER!