Ditosos dias de menina
que eu vive
na minha infância
meu irmão, era o meu boneco
nunca havia, distância
Brincávamos, no jardim
de minha casa
três anos nos separavam
eu era a sua asa
e as pessoas, pasmavam
Nada lhe podia, doer
porque corria, aflita
a chamar, a minha mãe
a contar
a desdita
Nasceu com setecentos gramas
uma caixa de charutos
era a sua caminha
era um boneco, entre os adultos
eu nunca estava, sozinha
Hoje quase com setenta anos
vivendo, numa depressão
ele passa a sua vida
sozinho
na solidão
Tento alegrar os seus dias
mas desistiu
de rir
com uma velhice ,fria
não lhe posso, acudir
Minha família direta
tenta o ajudar
para viver
a vida
com vontade de amar