sexta-feira, 26 de junho de 2015

DIÁRIO DUM VIAJANTE

Lá fora a chuva bate interruptamente contra estas paredes e telhados, feitos de materiais estranhos e pouco matizados.
Aqui estou eu no meu quarto dia neste País curioso e ao mesmo tempo inebriante.
Estou bem, sinto-me calma, por vezes já esqueço que a distância que me separa de casa é de tal modo forte, que me detém a pensar.
Agora não consigo escrever, as palavras não passam, não se escoam, talvez estejam armadas sobre um castiçal de pedra, quem sabe?
Olho para mim e tento reconhecer a criança assustada que se viu no vazio de um quarto de hotel, assediada por um calor imenso, feito em esboços por uma viagem de avião, sem fim.
É tudo novo, claro e pacato ao mesmo tempo, não sei quais serão as agruras que me cultivaram na alma, a ceifa da minha estada aqui.
Pessoas, sentimentos, situações, fazem-se a mim com força e com fome de serem entendidas e demonstrarem a sua imponência.
Mas onde está o amor?
está do lado da casa, da pátria...
Aqui estou eu, no meu futon, para passar mais uma noite, no meio do ecos dos ruídos da noite.
Lá fora o regato assume um semblante noturno, preparando-se para o seu repouso, semeando o seu movimento corredio entre as pedras que o aconchegam no seu percurso.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

DEIXA TUDO E MUITO MAIS POR ESTE AMOR APAIXONADO

Deixa que o mundo desabe
para em teus braços, te encontrar
para viver, um grande amor
e contigo, casar

Deixa que o infinito, nos ilumine
na noite escura da tempestade
para que o nosso amor, mine
e eu seja a tua majestade

Deixa que os meus lábios
te encontre
na fogueira, deste amor
e tu sejas o meu conde

Deixa tudo e muito mais
para que o amor, seja celebrado
somos simples mortais
que vivem um amor, apaixonado

sexta-feira, 19 de junho de 2015

E O VERÃO CHEGOU...

E o Verão vai chegar...
tudo corre com alegria para o abraçar
esquecem a nostalgia
e é preciso namorar

O corpo se despe dos farrapos
que se aquecem, no Inverno
pois uns simples trapos
esquecemos, o inferno

Purificamos o corpo
com este SOL que nos ilumina
beber um copo
ao som da concertina

É rir e a brincar
que levamos esta estação
sempre a reinar
com grande sensação

Mar envolto na areia
enrola os nossos corpos
como se fossemos uma sereia
que se encontra entre portos

segunda-feira, 15 de junho de 2015

CUIDADO, CUIDEM DA VOSSA SAÚDE

A vida é uma nora
que tanto rola como para
umas vezes para a frente
outras, dispara

Trabalhamos, trabalhamos
sempre com um alvo, a atingir
para que tenhamos
um destino, a sorrir

Arquitetamos planos
reunidos em família
os anos não contamos
nem ficamos em vigília

Mas um dia, ao despertar
ficamos quedos ao sentir
que o nosso esqueleto
pode um dia, partir

No momento não só os velhos
terem dores, de pasmar
da cabeça aos joelhos
ah! há muito a chorar

Por isso meus amigos
não vos deixem atrasar
de irem ao médico
para seu corpo, tratar



sábado, 13 de junho de 2015

SÊ VERDADEIRO E AJUDA QUEM SOFRE

Os ventos sopram, baixinho
quando querem
remexer
todo nosso passado
não há nada, a fazer

Não te escondas
da verdade
sê justo e verdadeiro
o mundo é só falsidade
e tu não és, o primeiro

Vive a vida com sabor
sem ter espinhas, pelo meio
não vale a pena
ser senhor
ter por meio, o passeio


E quando te deitas á noite
satisfeito
do dia que tiveste
agradece ao SENHOR
de tudo aquilo, que deste

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O MEU AMIGO FERNANDO O PESSOA

FERNANDO
                       O
                                PESSOA

vai fazer anos
e eu
como boa pessoa
não lhe quero
fazer
danos

companheiro de jornada
desde criança
a esta idade
lendo tudo
que escreveu no meu círculo, da mocidade


Releio e mais releio
seus textos
sem explicação
aparente
um bom mentor
neste mundo, decadente

em minha casa, tem lugar
os seus escritos
como relíquia
não para o julgar
mas amar
a sua escrita

ANSIEDADE DUMA VIDA QUE VEGETA

Ansiedade
tristeza
sem limites
acumulada
por uma solidão
sem fim

vibrante
esperando que o amanhã
seja melhor
que o de hoje
trocar o cinzento
por um dia de SOL

e nesta caminhada
entre o vazio
e a neblina
procuro o desconhecido
para fazer de mim
uma neblina