sexta-feira, 26 de junho de 2015

DIÁRIO DUM VIAJANTE

Lá fora a chuva bate interruptamente contra estas paredes e telhados, feitos de materiais estranhos e pouco matizados.
Aqui estou eu no meu quarto dia neste País curioso e ao mesmo tempo inebriante.
Estou bem, sinto-me calma, por vezes já esqueço que a distância que me separa de casa é de tal modo forte, que me detém a pensar.
Agora não consigo escrever, as palavras não passam, não se escoam, talvez estejam armadas sobre um castiçal de pedra, quem sabe?
Olho para mim e tento reconhecer a criança assustada que se viu no vazio de um quarto de hotel, assediada por um calor imenso, feito em esboços por uma viagem de avião, sem fim.
É tudo novo, claro e pacato ao mesmo tempo, não sei quais serão as agruras que me cultivaram na alma, a ceifa da minha estada aqui.
Pessoas, sentimentos, situações, fazem-se a mim com força e com fome de serem entendidas e demonstrarem a sua imponência.
Mas onde está o amor?
está do lado da casa, da pátria...
Aqui estou eu, no meu futon, para passar mais uma noite, no meio do ecos dos ruídos da noite.
Lá fora o regato assume um semblante noturno, preparando-se para o seu repouso, semeando o seu movimento corredio entre as pedras que o aconchegam no seu percurso.

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